“A regionalização é decisiva para todo mercado publicitário.”
O presidente da ABAP-BA, Renato Tourinho, fala da importância do 7º EBAP, que será lançado no próximo dia 19 de março em Salvador, e dos entraves ao crescimento da propaganda, principalmente a regionalização das verbas.
1- Renato, o presidente da ABAP Nacional, Luiz Lara, volta a Bahia para apresentar e convidar o mercado baiano para o 7º EBAP, que discute no tema central a rentabilidade e o futuro das agências de publicidade. Fale um pouco sobre o lançamento do EBAP e do seu lançamento na Bahia.
Renato Tourinho: é muito importante não só a realização do EBAP mas também o seu lançamento aqui na Bahia. Fomos escolhidos porque a Bahia continua sendo respeitada pelo mercado nacional e referenciada quando se trata de publicidade. A economia brasileira retraiu 0,2% em 2009, embora a Bahia tenha crescido 1,7%, ainda temos que recuperar muito do que perdemos com a crise financeira internacional. Essa é uma excelente oportunidade para irmos além da recuperação, é hora de discutirmos nosso futuro. Precisamos pensar mais coorporativamente e desenvolvermos um plano de ações que envolvam toda cadeia produtiva visando a valorização do nosso negócio. E o EBAP é essa boa oportunidade.
2- Na lista dos temas do 7º EBAP, está proposto se discutir os desafios e expansão dos mercados regionais, além do tema ‘Presença Nacional nos Mercados Regionais’. O que o senhor acha desses temas específicos?
Renato Tourinho: em agosto do ano passado realizamos o VII Fórum de Propaganda da Bahia em que o tema central foi a ‘Regionalização das Verbas Publicitárias’, de todo país. Já faz algum tempo, desde a gestão de Sidônio Palmeira, aqui na ABAP-BA, que essa questão foi identificada pelo mercado baiano como fundamental, não só para a Bahia, mas para todo o Brasil. A Regionalização é imperativa para o país, pois nenhuma nação civilizada vive com desequilíbrios econômico-financeiros tão gritantes como o nosso. Não acredito na perpetuação de um negócio que está na mão de poucos. Hoje mais de 70% de toda verba publicitária está concentrada no Sudeste. A descentralização vai trazer mais qualidade para as agências regionais, vai gerar mais emprego e acima de tudo, vai dar mais eficiência ao negocio da comunicação no Brasil.
3- Renato, o senhor acha que os temas sobre mercado regional estão equivocadamente colocados quando deveriam ser chamados de regionalização das contas publicitárias?
Renato Tourinho: veja, não será uma questão de semântica que vai definir as ações, mas sim de atitude, da gente, e de todo o mercado publicitário brasileiro que já na sua maioria compreende a necessidade da descentralização dos investimentos em comunicação.
4- Qual deve ser a posição da ABAP-BA no 7º EBAP? Vocês têm algum ponto específico a ser colocado? O tema da regionalização será levado pela ABAP-BA?
Renato Tourinho: sim, nós sempre levaremos as nossas posições, preocupações, interesses e sugestões para o amplo debate nacional, porque democracia é isso. O tema central já esta definido, é a valorização da Publicidade Brasileira. Vamos colocar em debate a forma de como estamos sendo percebidos, fazendo com que os anseios e desejos dos anunciantes sejam integrados aos nossos, fazendo com que os benefícios e resultados sejam a tônica das duas partes..
5- Quais os maiores problemas que o mercado publicitário baiano enfrenta hoje?
Renato Tourinho: de cara a questão de estarmos com apenas 2,5% de participação no bolo publicitário nacional como falei antes. Só essa questão citada agora já denota o tamanho de nosso problema, considerando que a Bahia é a 6ª economia e nosso potencial de consumo ser de 5%. Isso significa que o mercado de propaganda baiano tem muito por que lutar e trabalhar. Já estamos levantando as causas desse problema e sempre nos reunindo para pelo menos dobrar nossa participação na propaganda nacional.
6- Como o senhor acha possível fazer isso?
Renato Tourinho: olha, onde tem homem há processos culturais, que se estabelecem à medida que o tempo passa e novas forças produtivas da economia vão se redesenhando. Precisamos de atitude, o empresariado brasileiro precisa ser mais participativo. Objetivamente, temos nos reunido com todos os segmentos da economia baiana, nos fortalecendo em fóruns empresariais, nos aproximando do poder público e dando a nossa contribuição. Além disso, estamos sempre presentes nos debates nacionais, como é o caso do EBAP. Temos que trabalhar muito para sairmos dessa incômoda e injusta posição.
7- O senhor acha que dobrar o bolo publicitário baiano passa necessariamente pela regionalização das contas publicitárias do Brasil?
Renato Tourinho: Bom ressaltar que quando falo em descentralização das verbas publicitárias, não falo só pela Bahia. As agências da Bahia têm hoje oito contas federais. Falo pelo fortalecimento do mercado brasileiro, pela eficiência na aplicação das verbas públicas, pela geração de novos empregos e pela possibilidade de mais investimento em qualidade para as agências regionais. No momento eu diria que a regionalização é decisiva para todo mercado publicitário Brasileiro e como a Bahia ainda tem uma economia pautada em matéria prima e não em produtos finais, será muito benéfico para o Estado se isto acontecer.
8- Qual a situação do mercado de propaganda na Bahia hoje?
Renato Tourinho: a Bahia vive um bom momento. Crescemos 1,7% em 2009, mesmo com a crise, embora a propaganda, que é um setor sensível, sentisse e perdesse um pouco com o baque das finanças internacional. Mas estamos retomando o crescimento, estamos estimulando novos setores a investir em comunicação. Temos motivos concretos para estarmos otimistas, mas vamos falar melhor sobre isso outra hora.
9- Qual a sua expectativa de ganho para a Bahia e o Brasil no 7º EBAP? O senhor vai?
Renato Tourinho: sim, claro que eu vou, e vou levar muitos comigo (risos). Mas, olha, levar no bom sentido (mais risos), para um ótimo lugar que é um fórum em que vamos discutir o futuro da publicidade e das agências brasileiras. Vamos para o 7º EBAP certos que um encontro dessa magnitude, e com tanta gente preparada e qualificada pensando juntas, certamente encontraremos caminhos certos, eficientes e maravilhosos, para a publicidade da Bahia e para o Brasil. Zeca, a indústria da comunicação é monumental e tem uma participação expressiva numa sociedade industrial e moderna. E as agências são uma espécie de motor dessa engrenagem. Nós somos pilar fundamental para construção das marcas.
10- Boa sorte para ABAP-BA e se quiser mandar um recado para o mercado baiano...
Renato Tourinho: não é bem um recado, é um convite. Na verdade são dois. Amigos, vamos todos ao café da manhã dessa sexta-feira, dia 19 de março, para conversar com Luiz Lara, presidente da ABAP Nacional. E vamos também ao Rio de Janeiro, dias 8 e 9 de abril, para o 7º EBAP. São duas oportunidades imperdíveis para o nosso mercado. Nos vemos lá. Obrigado pela entrevista.